Défice Neurológico Agudo no Serviço de Urgência

Caso clínico de ensino · Neurologia · Moderado

Neurologia · Moderado

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

68 anos · sexo masculino

Um homem de 68 anos é trazido ao Serviço de Urgência pela equipa de emergência pré-hospitalar devido à instalação súbita, há 2 horas, de fraqueza no lado direito do corpo e dificuldade em falar. A esposa refere que o doente se encontrava bem a tomar o pequeno-almoço às 08:00, tendo os sintomas surgido por volta das 08:30. Como antecedentes pessoais relevantes, apresenta hipertensão arterial mal controlada e fibrilação auricular não anticoagulada. À observação, encontra-se vigil, mas com afasia acentuada, sendo incapaz de nomear objetos ou repetir frases simples, embora pareça compreender ordens de um só passo.

Sinais vitais

FC
92 bpm
TA
168/94 mmHg
FR
16/min
Temp
36.7 °C
SpO₂
97%

Exame objectivo

  • Hemiparesia direita proporcional (força muscular grau 3/5 no membro superior e inferior direitos)
  • Parésia facial central direita
  • Afasia predominantemente motora (de Broca)
  • Pontuação na escala NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale) = 11

Análises

Glicémia capilar118 mg/dLreferência: 70-110
Hemoglobina14.2 g/dLreferência: 13.0-17.5
Plaquetas215 x10^3/µLreferência: 150-400
INR1.1 referência: 0.8-1.2

Pergunta 1 de 3

Qual é a investigação complementar inicial mais adequada a realizar de imediato no Serviço de Urgência?

Pergunta 2 de 3

A TC craniana sem contraste realizada imediatamente não demonstrou lesões hemorrágicas nem sinais precoces de isquémia extensa. Mantendo-se o doente com o mesmo défice neurológico 3 horas após o início dos sintomas, com tensão arterial de 170/90 mmHg e glicémia de 118 mg/dL, qual é o passo terapêutico subsequente mais adequado?

Pergunta 3 de 3

Considerando o antecedente de fibrilação auricular não anticoagulada como etiologia provável do evento isquémico, qual é a opção de prevenção secundária a longo prazo mais adequada para este doente após a fase aguda?

Pontos-chave

  • A TC craniana sem contraste é o exame de escolha imediato para diferir um AVC isquémico de um AVC hemorrágico no Serviço de Urgência.
  • A trombólise endovenosa com alteplase é o tratamento de reperfusão de primeira linha no AVC isquémico agudo em janela temporal de 4,5 horas na ausência de contraindicações.
  • A fibrilação auricular é um fator de risco major para AVC cardioembólico e requer anticoagulação oral para prevenção secundária eficaz.

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