Musculoesquelético e reumatologia · Moderado
Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.
62 anos · sexo masculino
Um doente do sexo masculino, de 62 anos, recorre ao serviço de urgência por dor intensa, tumefação e calor no joelho direito, com 36 horas de evolução. Refere febre (temperatura máxima medida em casa de 38,6 ºC) e calafrios desde a véspera. Como antecedentes pessoais relevantes, apresenta diabetes mellitus tipo 2 mal controlada e gonartrose sintomática à direita. Nega traumatismo recente, infiltrações ou procedimentos articulares prévios. Ao exame físico, o doente encontra-se prostrado e incapaz de realizar apoio plantar no membro inferior direito.
Sinais vitais
- FC
- 108 bpm
- TA
- 118/72 mmHg
- FR
- 20/min
- Temp
- 38.8 °C
- SpO₂
- 97%
Exame objectivo
- Joelho direito com derrame articular volumoso, eritema periarticular e calor local evidente
- Dor marcada à palpação e à mobilização ativa e passiva do joelho direito, com limitação quase total da amplitude articular
- Ausência de lesões cutâneas aparentes, feridas ou portas de entrada evidentes no membro inferior direito
Análises
| Hemoglobina | 13.8 g/dL | referência: 13.0-17.5 |
| Leucócitos | 16.5 x10^3/µL | referência: 4.0-11.0 |
| Neutrófilos | 88 % | referência: 45-70 |
| Proteína C Reativa | 185 mg/L | referência: < 5.0 |
| Velocidade de Sedimentação | 78 mm/1ª hora | referência: < 20 |
| Creatinina | 0.9 mg/dL | referência: 0.7-1.2 |
Pergunta 1 de 3
Perante o quadro clínico e laboratorial apresentado, qual é o exame complementar de diagnóstico prioritário a realizar neste doente?
A artrocentese urgente com análise do líquido sinovial é o exame de escolha indispensável para o diagnóstico de artrite séptica, devendo ser realizada idealmente antes do início da antibioterapia. A RM e a TC (opções B e D) podem ser úteis em articulações profundas ou casos atípicos, mas atrasam o diagnóstico e o tratamento numa articulação facilmente acessível como o joelho. A radiografia simples (opção A) deve ser feita para afastar fraturas ou osteomielite prévia, contudo não confirma o diagnóstico de artrite séptica por si só.
Ponto de ensino: A artrocentese imediata é o procedimento obrigatório perante a suspeita de monoartrite séptica aguda.
Pergunta 2 de 3
A artrocentese revelou um líquido sinovial purulento com 85.000 leucócitos/mm³ (92% neutrófilos), ausência de microcristais e presença de cocos Gram-positivos em aglomerados na bacterioscopia. Qual é a conduta terapêutica imediata mais adequada?
O tratamento de urgência da artrite séptica assenta na combinação de antibioterapia empírica endovenosa (com cobertura para cocos Gram-positivos como Staphylococcus aureus) e drenagem eficaz do exsudado purulento articular. A antibioterapia oral em ambulatório (opção A) é inadequada para a fase agudíssima. Corticosteroides intra-articulares (opção B) estão expressamente contraindicados na infeção ativa. Retardar a antibioterapia à espera dos resultados definitivos da cultura (opção D) aumenta significativamente o risco de destruição articular e morbilidade grave.
Ponto de ensino: O tratamento da artrite séptica exige o binómio antibioterapia endovenosa empírica imediata e esvaziamento/drenagem articular.
Pergunta 3 de 3
Considerando a etiologia microbiológica da artrite séptica aguda em adultos não traumatizados, qual é o agente patogénico isolado com maior frequência?
O Staphylococcus aureus é a causa mais frequente de artrite séptica bacteriana em adultos, responsável por mais de 50% dos casos no geral. A Neisseria gonorrhoeae (opção D) é uma causa importante em adultos jovens e sexualmente ativos, mas menos prevalente na população geral idosa ou com comorbilidades. Pseudomonas aeruginosa (opção A) ocorre predominantemente em doentes imunocomprometidos ou utilizadores de drogas por via endovenosa. Streptococcus pneumoniae (opção B) é uma causa menos frequente.
Ponto de ensino: Staphylococcus aureus é o microrganismo isolado com maior frequência na artrite séptica no adulto.
Pontos-chave
- A artrocentese diagnóstica urgente deve ser realizada perante qualquer doente com monoartrite aguda para afastar ou confirmar artrite séptica.
- O pilar do tratamento da artrite séptica consiste na antibioterapia endovenosa precoce aliada à drenagem articular eferente (por aspiração ou artroscopia).
- Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais comum na artrite séptica do adulto e deve ser sempre coberto pelo esquema antibiótico empírico inicial.
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