Pneumologia · Moderado
Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.
24 anos · sexo feminino
Doente do sexo feminino, 24 anos, recorre à consulta por episódios recorrentes de dispneia, sensação de aperto torácico, tosse seca e sibilos expiratórios, predominantemente noturnos e desencadeados pelo esforço físico e exposição a poeiras. Refere agravamento dos sintomas nas últimas 3 semanas, acordando cerca de duas vezes por semana com tosse e dificuldade respiratória. Tem antecedentes de rinite alérgica desde a infância. Nega hábitos tabágicos, medicação habitual ou episódios prévios de internamento.
Sinais vitais
- FC
- 82 bpm
- TA
- 120/76 mmHg
- FR
- 18/min
- Temp
- 36.5 °C
- SpO₂
- 97%
Exame objectivo
- Murmúrio vesicular mantido, com tempo expiratório prolongado
- Fervores sibilantes expiratórios disseminados em ambos os campos pulmonares
- Sem tiragem intercostal, suprasternal ou batimento da asa do nariz
- Mucosa nasal pálida e hipertrofia dos cornetos inferiores
Análises
| Leucócitos | 7.4 10^9/L | referência: 4.0-11.0 |
| Eosinófilos | 0.48 10^9/L | referência: 0.05-0.40 |
| Hemoglobina | 13.2 g/dL | referência: 12.0-15.5 |
Pergunta 1 de 3
Qual é o exame complementar de diagnóstico mais indicado para confirmar a hipótese diagnóstica principal nesta doente?
A espirografia com teste de broncodilatação é o exame de primeira linha para confirmar o diagnóstico de asma, demonstrando a presença de limitação reversível do fluxo aéreo. A TCAR não está indicada de rotina na suspeita de asma sem complicações. A broncoscopia é um exame invasivo desnecessário neste contexto. A gasometria arterial não é indicada em doentes estáveis com SpO2 normal.
Ponto de ensino: A confirmação do diagnóstico de asma requer a demonstração de limitação variável do fluxo aéreo através da espirometria com teste de reversibilidade broncodilatadora.
Pergunta 2 de 3
A doente realizou a espirometria solicitada, que demonstrou uma relação FEV1/FVC de 66%. Após a administração de 400 µg de salbutamol inalado, registou-se um aumento do FEV1 de 15% e 240 mL em relação ao valor pré-broncodilatador. Qual é a interpretação correta deste resultado?
A relação FEV1/FVC inferior ao limite inferior do normal (ou < 0.70/75%) define um padrão obstrutivo. A resposta positiva ao broncodilatador é definida por um aumento do FEV1 (ou FVC) > 12% e > 200 mL em relação ao valor basal, o que confirma a reversibilidade característica da asma. O padrão restritivo é caracterizado por FVC reduzida com FEV1/FVC normal. A ausência de reversibilidade favoreceria DPOC, o que não se verifica aqui.
Ponto de ensino: Uma resposta broncodilatadora significativa é definida pelo aumento do FEV1 ou FVC em mais de 12% e mais de 200 mL após inalação de broncodilatador de curta ação.
Pergunta 3 de 3
Após a confirmação diagnóstica de asma e considerando a frequência dos sintomas (despertares noturnos frequentes e sintomas diurnos várias vezes por semana), qual é a terapêutica de manutenção e alívio inicial mais adequada segundo as normas internacionais (GINA)?
De acordo com as recomendações atuais (GINA), o tratamento de escolha para o controlo da asma e prevenção de exacerbações envolve o uso de corticosteroide inalado (ICS) combinado com formoterol (LABA com início de ação rápido), quer como terapêutica de alívio SOS quer como manutenção e alívio (MART). A monoterapia com SABA isolado já não é recomendada devido ao risco acrescido de exacerbações graves e mortalidade. Corticosteroides orais diários estão reservados para asma grave não controlada. Montelucaste em monoterapia não é a opção preferencial de primeira linha.
Ponto de ensino: O tratamento fundamental da asma assenta na utilização precoce de corticosteroides inalados (idealmente associados ao formoterol) para tratar a inflamação subjacente e prevenir exacerbações.
Pontos-chave
- O diagnóstico de asma baseia-se na história clínica compaginável associada à demonstração de limitação variável e reversível do fluxo aéreo na espirometria.
- A reversibilidade brônquica significativa é definida por um aumento do FEV1 ou FVC > 12% e > 200 mL após broncodilatador.
- A monoterapia com SABA isolado deixou de ser recomendada no tratamento da asma; o pilar do tratamento é o corticosteroide inalado (ICS) associado a formoterol.
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