Recusa de Internamento Hospitalar num Quadro de Colecistite Aguda

Caso clínico de ensino · Ética, direito e profissionalismo · Fácil

Ética, direito e profissionalismo · Fácil

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

72 anos · sexo feminino

Uma doente do sexo feminino, de 72 anos, é trazida ao serviço de urgência pela filha devido a dor no hipocôndrio direito e vómitos com 24 horas de evolução. Apresenta antecedentes pessoais de hipertensão arterial controlada. Ao exame objetivo, encontra-se vigil, orientada no tempo, no espaço e em relação a si própria, colaborante, com discurso coerente e articulado. O exame abdominal revela dor à palpação do hipocôndrio direito com sinal de Murphy positivo. É estabelecido o diagnóstico presuntivo de colecistite aguda e proposta admissão hospitalar para antibioterapia endovenosa e avaliação por cirurgia geral. A doente recusa o internamento, afirmando expressamente que prefere regressar a casa para cuidar dos seus animais de estimação, demonstrando compreender que a infeção pode agravar-se e evoluir para sépsis se não for tratada em meio hospitalar. A filha insiste que a mãe deve ser internada contra a sua vontade.

Sinais vitais

FC
82 bpm
TA
130/80 mmHg
FR
16/min
Temp
37.8 °C
SpO₂
98%

Exame objectivo

  • Abdomen doloroso à palpação no hipocôndrio direito, com sinal de Murphy positivo, sem sinais de peritonite generalizada
  • Estado mental: vigil, orientada no tempo, espaço e pessoa, sem défices cognitivos aparentes ou alterações do humor

Análises

Leucócitos13.5 10^9/Lreferência: 4.0-11.0
Proteína C Reativa45.0 mg/Lreferência: <5.0

Pergunta 1 de 3

Qual é a atitude médica mais adequada perante a recusa da doente em ficar internada?

Pergunta 2 de 3

Em ética e deontologia médica, quais são os elementos funcionais necessários para avaliar se a doente possui capacidade para recusar o tratamento?

Pergunta 3 de 3

Após reconfirmar a capacidade da doente e a sua decisão mantida de recusar o internamento, qual é o passo seguinte mais adequado no plano ético-legal e clínico?

Pontos-chave

  • O princípio da autonomia confere ao doente adulto com capacidade mantida o direito de recusar diagnósticos ou tratamentos propostos.
  • A capacidade de decisão é uma avaliação funcional baseada na compreensão, retenção, ponderação e comunicação da decisão pelo doente.
  • A recusa informada deve ser devidamente documentada no processo clínico e acompanhada de plano de contingência à alta com sinais de alarme clara e devidamente explicados.

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