Cefaleia subaguda e papiledema numa mulher jovem

Caso clínico de ensino · Neurologia · Difícil

Neurologia · Difícil

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

28 anos · sexo feminino

Mulher de 28 anos, sem antecedentes patológicos relevantes além do consumo de contracetivo oral combinado há 3 anos, recorre ao serviço de urgência por cefaleia holocraniana progressiva, contínua e pulsátil, com 8 dias de evolução. A doente refere agravamento matinal, com o decurso do sono e ao tossir ou curvar-se (manobra de Valsalva), associada a náuseas e episódios curtos de escurecimento visual transitório. Nega febre, traumatismo craniano recente, consumo de substâncias ilícitas ou antecedentes pessoais ou familiares de cefaleias primárias. Realizou Tomografia Computorizada (TC) cerebral sem contraste no serviço de urgência, que não demonstrou lesões expansivas, hemorragias agudas ou alterações parenquimatosas evidentes.

Sinais vitais

FC
72 bpm
TA
124/78 mmHg
FR
14/min
Temp
36.6 °C
SpO₂
98%

Exame objectivo

  • Consciente, orientada no tempo e no espaço
  • Sem rigidez de nuca ou sinais de irritação meningídea
  • Fundoscopia ocular com edema papilar bilateral e apagamento dos limites do disco ótico (papiledema)
  • Pares cranianos sem défices motores oculares extrínsecos
  • Força muscular e sensibilidade preservadas globalmente, reflexos osteotendinosos simétricos e resposta plantar flexora bilateral

Análises

Hemoglobina13.2 g/dLreferência: 12.0-15.5
Leucócitos7.8 10^9/Lreferência: 4.0-11.0
Plaquetas245 10^9/Lreferência: 150-400
Proteína C Reativa (PCR)2.1 mg/Lreferência: <5.0
Velocidade de Sedimentação (VS)14 mm/1ª horareferência: <20
D-Dímeros850 ng/mL FEUreferência: <500

Pergunta 1 de 3

Tendo em conta a suspeita clínica e o resultado da TC cerebral sem contraste, qual é o exame complementar de diagnóstico mais adequado para confirmar a hipótese diagnóstica principal nesta doente?

Pergunta 2 de 3

Qual é o diagnóstico mais provável para o quadro clínico apresentado por esta doente?

Pergunta 3 de 3

Após a confirmação diagnóstica de trombose venosa cerebral sem enfarte hemorrágico, qual é a atitude terapêutica imediata mais adequada?

Pontos-chave

  • A TC cerebral sem contraste pode ser normal em cerca de 30% dos casos de trombose venosa cerebral, sendo a angio-RM venosa o exame confirmatório de eleição.
  • Cefaleias com características de hipertensão intracraniana (agravamento no decúbito e com Valsalva) e papiledema em doentes com fatores de risco prorombóticos devem levantar a suspeita de trombose venosa cerebral.
  • O tratamento de primeira linha da trombose venosa cerebral na fase aguda é a anticoagulação em dose terapêutica com heparina de baixo peso molecular.

Este é um de 158 casos gratuitos

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