Cefaleia Subaguda e Alterações Visuais numa Mulher Jovem

Caso clínico de ensino · Neurologia · Difícil

Neurologia · Difícil

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

31 anos · sexo feminino

Mulher de 31 anos, sem antecedentes patológicos relevantes além do uso de contracetivos orais combinados há dois anos, recorre ao serviço de urgência por cefaleia holocraniana progressiva com 6 dias de evolução. Descreve a dor como profunda e pulsátil, com intensidade 8/10, agravando-se com a manobra de Valsalva e na posição de decúbito dorsal. No último dia, notou episódios breves e transitórios de turvação visual bilateral, acompanhados de zumbido pulsátil no ouvido esquerdo. Ao exame objetivo, encontra-se vigil, colaborante e orientada no tempo e no espaço. A avaliação dos pares cranianos demonstra limitação da abdução do olho esquerdo. A fundoscopia revela edema papilar bilateral com apagamento dos limites do disco ótico. Não se observam rigidez de nuca ou défices motores e sensitivos nos membros.

Sinais vitais

FC
74 bpm
TA
126/78 mmHg
FR
15/min
Temp
36.6 °C
SpO₂
98%

Exame objectivo

  • Edema papilar bilateral na fundoscopia
  • Paresia do VI par craniano à esquerda (limitação da abdução ocular)
  • Ausência de rigidez de nuca ou de défices motores e sensitivos focais nos membros

Análises

Hemoglobina13.4 g/dLreferência: 12.0-15.5
Leucócitos7.1 10^9/Lreferência: 4.0-11.0
Plaquetas235 10^9/Lreferência: 150-400
Proteína C Reativa0.2 mg/dLreferência: <0.5
Creatinina0.7 mg/dLreferência: 0.5-1.0

Pergunta 1 de 3

Tendo em conta a história clínica e os achados do exame objetivo, qual é o diagnóstico mais provável nesta doente?

Pergunta 2 de 3

Qual é o exame complementar de diagnóstico mais adequado para confirmar a suspeita clínica inicial nesta doente?

Pergunta 3 de 3

Após a confirmação diagnóstica de trombose do seio sagital superior sem evidência de enfarte ou hemorragia no parênquima cerebral, qual é a conduta terapêutica inicial mais adequada?

Pontos-chave

  • A combinação de cefaleia progressiva, edema papilar e paralisia do VI par craniano sugere hipertensão intracraniana secundária a trombose venosa cerebral em doentes com fatores de risco pró-trombóticos.
  • A TC cerebral sem contraste pode ser normal em até 30% dos casos de TVC; a confirmação exige Angio-RM venosa ou Angio-TC com fase venosa.
  • A anticoagulação em dose terapêutica com HBPM ou heparina não fracionada é a pedra basilar do tratamento agudo da trombose venosa cerebral.

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