Confidencialidade Médica e Infeções de Notificação Obrigatória

Caso clínico de ensino · Ética, direito e profissionalismo · Moderado

Ética, direito e profissionalismo · Moderado

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

32 anos · sexo feminino

Uma doente de 32 anos comparece à consulta de Medicina Geral e Familiar no seu Centro de Saúde para conhecimento do resultado de exames serológicos previamente solicitados por lesão genital genital indolor. O resultado confirma o diagnóstico de sífilis recente (infeção por Treponema pallidum). Durante a consulta, a doente manifesta grande angústia relativamente ao impacto deste diagnóstico no seu casamento e solicita expressamente ao médico que não revele qualquer informação ao seu marido. Poucos minutos depois, o marido telefona para o Centro de Saúde e exige falar com o médico assistente para obter o resultado dos exames da esposa, alegando ter direito à informação por ser o cônjuge.

Sinais vitais

FC
72 bpm
TA
118/76 mmHg
FR
14/min
Temp
36.6 °C
SpO₂
98%

Exame objectivo

  • Ligeiro exantema maculopapular eritematoso não pruriginoso no tronco e palmas das mãos
  • Cicatrização de úlcera indolor na mucosa vulvar
  • Adenopatias inguinais bilaterais móveis e indolores

Análises

VDRLReativo (1:32) títuloreferência: Não reativo
TPHA / TP-PAReativo qualitativoreferência: Não reativo

Pergunta 1 de 3

Qual é a conduta ética e legalmente correta que o médico deve adotar perante o pedido de informação por parte do marido da doente?

Pergunta 2 de 3

Relativamente à obrigação de notificação da infeção às autoridades de saúde pública em Portugal, qual é o procedimento correto a adotar pelo médico?

Pergunta 3 de 3

Qual é a abordagem mais adequada por parte do médico para gerir o risco de transmissão da infeção ao parceiro sexual da doente?

Pontos-chave

  • O dever de segredo médico protege a privacidade do doente e só pode ser suspenso em situações excecionais previstas na lei ou com consentimento do próprio.
  • A notificação de doenças de declaração obrigatória ao SINAVE é um dever legal do médico que coexiste com o respeito pela privacidade do doente.
  • A abordagem ao risco de contágio de parceiros sexuais deve assentar no aconselhamento e capacitação do doente para a revelação voluntária.

Este é um de 158 casos gratuitos

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