Psiquiatria · Fácil
Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.
42 anos · sexo feminino
Uma doente de 42 anos, administrativa, recorre à consulta de Medicina Geral e Familiar por humor depressivo, astenia marcada e anedonia com seis semanas de evolução. Refere insónia de manutenção e despertar precoce, perda de apetite com diminuição de 4 kg de peso e sentimentos de incapacidade e culpa no contexto laboral. Nega antecedente de ideação suicida ativa, episódios prévios de mania ou hipomania, assim como sintomas psicóticos. Os exames laboratoriais sumários realizados para exclusão de causas orgânicas não mostram alterações.
Sinais vitais
- FC
- 72 bpm
- TA
- 120/75 mmHg
- FR
- 14/min
- Temp
- 36.6 °C
- SpO₂
- 98%
Exame objectivo
- Hipomimia facial e discurso com latência aumentada
- Afeto hipotímico, sintónico com o discurso
- Sem alterações ao exame objetivo sistémico ou neurológico
Análises
| Hemoglobina | 13.2 g/dL | referência: 12.0-15.5 |
| TSH | 2.1 µUI/mL | referência: 0.4-4.0 |
| Vitamina B12 | 410 pg/mL | referência: 200-900 |
Pergunta 1 de 3
Qual é o diagnóstico mais provável para o quadro clínico descrito?
A doente preenche os critérios para Perturbação Depressiva Maior (presença de pelo menos 5 sintomas depressivos, incluindo humor depressivo e anedonia, por mais de 2 semanas, com repercussão funcional). A Perturbação de Adaptação não justifica a gravidade e o número completo de sintomas vegetativos. A Perturbação Bipolar Tipo I exigiria pelo menos um episódio maníaco prévio, negado no caso. O hipotireoidismo está excluído pela TSH normal.
Ponto de ensino: O diagnóstico de perturbação depressiva maior exige pelo menos duas semanas de humor depressivo ou anedonia associado a outros sintomas somáticos/cognitivos e perda funcional, após exclusão de causas orgânicas.
Pergunta 2 de 3
Qual é a abordagem terapêutica de primeira linha mais adequada para esta doente?
Os ISRS (como a sertralina, escitalopram ou fluoxetina) combinados ou não com psicoterapia estruturada (p. ex., psicoterapia cognitivo-comportamental) constituem o tratamento de primeira linha para a depressão maior ligeira a moderada. Os antipsicóticos não são primeira linha em monoterapia para depressão unipolar não psicótica. As benzodiazepinas não têm ação antidepressiva e não devem ser usadas em monoterapia. A ECT está reservada para casos graves, refratários ou com risco de vida iminente.
Ponto de ensino: Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e a psicoterapia são as opções de primeira linha no tratamento da perturbação depressiva maior.
Pergunta 3 de 3
Ao iniciar a terapêutica farmacológica com um ISRS, qual das seguintes informações deve ser prestada à doente quanto ao tempo de resposta?
Os antidepressivos como os ISRS têm uma latência de resposta terapêutica tipicamente de 2 a 6 semanas. É fundamental esclarecer a doente sobre este período para garantir a adesão terapêutica. A troca ao fim de 3 dias é incorreta devido à latência biológica do fármaco. A suspensão precoce aumenta drasticamente o risco de recidiva (o tratamento deve ser mantido por 6 a 9 meses após a remissão). A titulação diária rápida até à dose máxima aumenta os efeitos adversos sem benefício clínico demonstrado.
Ponto de ensino: O efeito terapêutico dos antidepressivos inicia-se tipicamente após 2 a 6 semanas de tratamento contínuo.
Pontos-chave
- A perturbação depressiva maior exige a presença continuada de sintomas afetivos e somáticos por pelo menos duas semanas com prejuízo funcional.
- A exclusão de etiologias orgânicas (como disfunção tiroideia ou anemia) é um passo fundamental na avaliação inicial de sintomas depressivos.
- Os ISRS representam a primeira linha farmacológica e requerem aconselhamento sobre a latência de ação de 2 a 6 semanas para assegurar a adesão.
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