Dor Súbita e Adormecimento do Membro Inferior com 4 Horas de Evolução

Caso clínico de ensino · Cardiovascular · Difícil

Cardiovascular · Difícil

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

68 anos · sexo masculino

Um doente do sexo masculino, de 68 anos, recorre ao Serviço de Urgência por dor intensa e súbita no membro inferior direito com 4 horas de evolução, acompanhada de sensação de adormecimento no pé. Refere antecedentes de claudicação intermitente prévia para distâncias superiores a 200 metros e fibrilação auricular, sem adesão à terapêutica anticoagulante prescrita. Ao exame físico, o membro inferior direito apresenta-se frio e pálido desde o terço distal da perna, com tempo de preenchimento capilar superior a 4 segundos no pé. Os pulsos femoral e poplíteo direitos são claramente palpáveis, mas os pulsos pedioso e tibial posterior encontram-se ausentes à palpação. Identifica-se hipoestesia ligeira nos dedos do pé direito, com força muscular totalmente mantida na dorsiflexão e flexão plantar do pé e dedos.

Sinais vitais

FC
108 bpm
TA
142/86 mmHg
FR
18/min
Temp
36.5 °C
SpO₂
97%

Exame objectivo

  • Membro inferior direito frio e pálido no terço distal da perna e pé
  • Pulsos pedioso e tibial posterior direitos ausentes; pulsos femoral e poplíteo mantidos
  • Hipoestesia ligeira restrita aos dedos do pé direito
  • Força muscular distal e proximal preservada no membro inferior direito (grau 5/5)
  • Ritmo cardíaco irregularmente irregular compatível com fibrilação auricular

Análises

Hemoglobina14.2 g/dLreferência: 13.0-17.5
Leucócitos11.2 10^9/Lreferência: 4.0-11.0
Plaquetas240 10^9/Lreferência: 150-400
Creatinina1.0 mg/dLreferência: 0.7-1.2
Ureia38 mg/dLreferência: 15-50
Creatina quinase (CK)160 U/Lreferência: <190
Lactato arterial1.7 mmol/Lreferência: 0.5-2.0
INR1.1 referência: 0.8-1.2

Pergunta 1 de 3

Qual é o diagnóstico mais provável e a respetiva estadiificação da gravidade segundo a Classificação de Rutherford?

Pergunta 2 de 3

Qual é a medida terapêutica imediata mais adequada no Serviço de Urgência enquanto se aguarda pela avaliação especializada da Cirurgia Vascular?

Pergunta 3 de 3

Qual é o exame de imagem complementar mais adequado neste doente para estadiar o nível anatómico da oclusão e planear a revascularização, desde que não atrase a intervenção cirúrgica?

Pontos-chave

  • A isquemia aguda do membro é uma emergência vascular definida pela diminuição súbita da perfusão que ameaça a viabilidade do membro (regra dos 6 'P': Pain, Pallor, Pulselessness, Paresthesia, Paralysis, Perishingly cold).
  • A Classificação de Rutherford guia o prognóstico e urgência: Classe I (viável), Classe IIa (marginalmente ameaçado - perda sensitiva mínima, sem fraqueza), Classe IIb (imediatamente ameaçado - perda sensitiva e motora) e Classe III (irreversível).
  • O tratamento médico imediato assenta na anticoagulação com heparina não fracionada ev e referenciação urgente à Cirurgia Vascular para revascularização (tromboembolectomia de Fogarty, bypass ou terapêutica endovascular).

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