Endocardite Infeciosa em Prótese Valvular Aórtica

Caso clínico de ensino · Infecciologia · Difícil

Infecciologia · Difícil

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

68 anos · sexo masculino

Doente do sexo masculino, de 68 anos, recorre ao serviço de urgência por quadro com 3 semanas de evolução caracterizado por astenia progressiva, febre não quantificada, diaforese noturna e lombalgia constante. Como antecedentes pessoais relevantes, destaca-se substituição da válvula aórtica por prótese biológica há 14 meses e ressecção transuretral da próstata há 2 meses. Ao exame físico, apresenta-se febril e hemodinamicamente estável. À auscultação cardíaca, identifica-se um sopro diastólico aórtico de novo (grau 2/6). Na inspeção cutânea, observam-se lesões eritematosas, nodulares e dolorosas na polpa dos dedos das mãos, bem como hemorragias subungueais em estilhaço. A palpação das apófises espinhosas de L3 e L4 desencadeia dor intensa.

Sinais vitais

FC
96 bpm
TA
118/64 mmHg
FR
18/min
Temp
38.3 °C
SpO₂
96%

Exame objectivo

  • Sopro diastólico aórtico de novo (grau 2/6)
  • Nódulos de Osler na polpa dos dedos das mãos
  • Hemorragias em estilhaço subungueais
  • Dor à palpação das apófises espinhosas de L3-L4

Análises

Hemoglobina10.1 g/dLreferência: 13.0-17.5
Leucócitos14.5 10^9/Lreferência: 4.0-11.0
Plaquetas210 10^9/Lreferência: 150-400
Proteína C-Reativa (PCR)135 mg/Lreferência: < 5.0
Creatinina1.3 mg/dLreferência: 0.7-1.2
Urina tipo IIMicrohematúria e proteinúria (1+) referência: Negativo

Pergunta 1 de 3

Após a colheita imediata de 3 conjuntos de hemoculturas de veias periféricas distintas, qual é o exame de imagem cardíaco inicial mais indicado para confirmar o diagnóstico e pesquisar complicações perivalvulares neste doente?

Pergunta 2 de 3

As hemoculturas revelaram crescimento de Enterococcus faecalis sensível à ampicilina e sem resistência de alto nível aos aminoglicosídeos (HLAR negativo). O ETE confirmou uma vegetação de 8 mm na prótese aórtica, sem abcesso perivalvular nem regurgitação grave. Qual é o regime antibiótico de primeira linha mais adequado e a respetiva duração total recomendada para este doente?

Pergunta 3 de 3

Ao 5.º dia de antibioterapia dirigida, o doente refere agravamento acentuado da lombalgia, mantendo picos febris ocasionais (37.9 ºC). O exame objetivo revela défice motor de novo (grau 3/5) na dorsiflexão do pé direito e diminuição do reflexo aquiliano ipsilateral. Qual é a atitude diagnóstica subsequente mais adequada?

Pontos-chave

  • O ecocardiograma transesofágico (ETE) é indispensável na avaliação de suspeita de endocardite em doentes com prótese valvular ou dispositivos intracardíacos.
  • A combinação de Ampicilina e Ceftriaxona por 6 semanas é a terapêutica de escolha para a endocardite por Enterococcus faecalis em próteses valvulares, oferecendo menor nefrotoxicidade do que os regimes com aminoglicosídeos.
  • A lombalgia em doentes com endocardite infeciosa deve alertar para a possibilidade de espondilodiscite e abcesso epidural; a presença de sinais neurológicos focais exige a realização urgente de RM da coluna vertebral.

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