Crises Paroxísticas e Alteração da Consciência numa Jovem Adulta

Caso clínico de ensino · Neurologia · Moderado

Neurologia · Moderado

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

32 anos · sexo feminino

Uma doente de 32 anos é trazida ao serviço de urgência pelo acompanhante após um episódio paroxístico testemunhado em casa. O acompanhante refere que a doente apresentou rigidez nos quatro membros seguida de abalos sacudidos generalizados, com duração de cerca de 2 minutos, acompanhada de mordedura lateral da língua e perda de consciência. O acompanhante relata ainda que, nos últimos 6 meses, a doente apresentou cerca de quatro episódios breves (1 a 2 minutos) caracterizados por uma sensação epigástrica mal definida que subia ao peito, seguida de olhar fixo, automatismos orofaciais (movimentos de mastigação e sução) e ausência de resposta a estímulos, ficando confusa durante vários minutos após os episódios.

Sinais vitais

FC
84 bpm
TA
124/76 mmHg
FR
14/min
Temp
36.5 °C
SpO₂
98%

Exame objectivo

  • Laceração na borda lateral esquerda da língua
  • Escala de Coma de Glasgow de 15, sem défices neurológicos focais mantidos
  • Ausência de rigidez da nuca ou outros sinais de irritação meningídea

Análises

Glicemia ocasional98 mg/dLreferência: 70-99
Sódio plasmático141 mEq/Lreferência: 135-145
Potássio plasmático4.2 mEq/Lreferência: 3.5-5.1
Cálcio total9.5 mg/dLreferência: 8.6-10.2
Leucócitos6.8 x10^3/uLreferência: 4.0-11.0
Proteína C Reativa0.2 mg/dLreferência: < 0.5

Pergunta 1 de 3

Com base na história clínica e nos achados observados, qual é a classificação e etiologia mais provável para as crises desta doente?

Pergunta 2 de 3

Qual é a combinação de exames complementares de diagnóstico de primeira linha mais indicada no ambulatório para prosseguir o estudo etiológico nesta doente?

Pergunta 3 de 3

Qual é a atitude terapêutica farmacológica profilática inicial mais adequada para esta doente?

Pontos-chave

  • A caracterização semiológica da crise (aura, automatismos, perda de contacto, estado pós-crítico) é crucial para distinguir crises focais do lobo temporal de ausências ou síncopes.
  • A RM cerebral com protocolo de epilepsia e o EEG constituem os pilares do estudo etiológico ambulatório da epilepsia focal.
  • Duas ou mais crises não provocadas com intervalo > 24 horas estabelecem o diagnóstico de epilepsia, indicando o início de medicação anti-crise em monoterapia.

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