Pediatria · Fácil
Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.
0 anos · sexo feminino
Uma lactente de 3 meses do sexo feminino é trazida ao serviço de urgência de pediatria por febre com 12 horas de evolução, tendo atingido a temperatura axilar máxima de 38,7 ºC no domicílio. Os pais relatam ligeira prostração durante os picos febris, mas boa reatividade e interação após administração de paracetamol, mantendo contudo recusa alimentar parcial. Não apresenta tosse, rinorreia, vómitos, diarreia ou exantema. Ao exame objetivo, a doente encontra-se em bom estado geral, reativa, corada e bem hidratada. A otoscopia e a observação da orofaringe não apresentam alterações. A auscultação cardiopulmonar é normal e o abdómen é mole, depressível e indolor, sem massas ou organomegalias.
Sinais vitais
- FC
- 142 bpm
- TA
- 88/52 mmHg
- FR
- 34/min
- Temp
- 38.6 °C
- SpO₂
- 99%
Exame objectivo
- Bom estado geral, reativa, sem sinais de gravidade ou de prostração fora do pico febril
- Orofaringe sem hiperemia e membranas timpânicas normais e bilateralmente permeáveis
- Auscultação cardiopulmonar sem ruídos adventícios
- Abdómen mole, depressível e indolor à palpação, sem organomegalias
Análises
| Hemoglobina | 11.5 g/dL | referência: 10.0-13.0 |
| Leucócitos | 14.200 /µL | referência: 6.000-17.500 |
| Neutrófilos | 58 % | referência: 20-45 |
| Proteína C-Reativa (PCR) | 45 mg/L | referência: < 5.0 |
| Urina tipo II (cateterismo vesical) - Leucócitos | > 500 /µL | referência: < 25 |
| Urina tipo II (cateterismo vesical) - Nitritos | Positivo | referência: Negativo |
Pergunta 1 de 3
Considerando o quadro clínico e os resultados laboratoriais apresentados, qual é o diagnóstico mais provável para esta doente?
A presença de leucocitúria significativa (> 500/µL) e nitritos positivos na urina tipo II colhida por cateterismo vesical, associada a febre e PCR elevada num lactente sem outro foco infecioso evidente, torna a infeção do trato urinário o diagnóstico mais provável. A otoscopia é normal (excluindo otite média), não há sinais de irritação meningínea ou prostração grave (o que torna a meningite improvável) e a bacteriemia oculta é menos provável dada a identificação do foco urinário.
Ponto de ensino: A infeção do trato urinário é a causa bacteriana mais frequente de febre sem foco em lactentes do sexo feminino.
Pergunta 2 de 3
Qual é o passo seguinte mais adequado na abordagem terapêutica e diagnóstica desta doente?
Num lactente de 3 meses com urina tipo II francamente alterada e marcadores inflamatórios elevados, deve ser colhida urocultura (para identificação do agente e teste de sensibilidade) e iniciada imediatamente antibioterapia empírica (por exemplo, cefalosporina de 2.ª ou 3.ª geração). A alta sem tratamento é desadequada pelo risco de lesão renal. A punção lombar não está indicada numa doente com bom estado geral, reativa e com foco urinário claro. A radiografia de tórax não é indicada na ausência de sintomas respiratórios.
Ponto de ensino: Antes de iniciar a antibioterapia empírica na infeção do trato urinário suspeita, deve garantse sempre a colheita de urina para urocultura.
Pergunta 3 de 3
Qual das seguintes afirmações descreve corretamente a interpretação dos resultados analíticos obtidos?
A presença de nitritos (muito específicos para enterobactérias) e leucocitúria numa amostra colhida por método asséptico (cateterismo vesical) tem elevada sensibilidade e especificidade para ITU, mas a confirmação microbiológica e o antibiograma exigem a urocultura. Um hemograma com leucócitos normais não exclui infeção bacteriana grave. A PCR elevada indica inflamação sistémica/infeção, mas não é específica do sistema nervoso central. A urina tipo II orienta o tratamento imediato, mas não substitui a urocultura.
Ponto de ensino: A análise sumária da urina orienta a decisão terapêutica imediata, contudo o diagnóstico definitivo de infeção do trato urinário exige a confirmação por urocultura.
Pontos-chave
- A infeção do trato urinário deve ser ativamente pesquisada através de análise de urina em todos os lactentes com febre sem foco.
- A colheita de urina para urocultura em lactentes sem controlo de esfíncteres deve ser realizada por técnicas assépticas como o cateterismo vesical ou a punção suprapúbica.
- A antibioterapia empírica deve ser iniciada logo após a colheita da urocultura quando a urina tipo II e os marcadores inflamatórios são sugestivos de infeção bacteriana.
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