Abordagem da Fibrilhação Auricular Recente no Serviço de Urgência

Caso clínico de ensino · Cardiovascular · Moderado

Cardiovascular · Moderado

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

68 anos · sexo feminino

Uma doente do sexo feminino, de 68 anos, recorre ao serviço de urgência por quadro de palpitações com dois dias de evolução, acompanhadas de astenia e intolerância moderada aos esforços. Nega dor torácica, síncope, pré-síncope ou dispneia de repouso. Como antecedentes pessoais relevantes, apresenta hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, estando medicada cronicamente com lisinopril 20 mg/dia e metformina 1000 mg/dia. Ao exame objetivo, a doente encontra-se consciente, orientada e sem sinais de distress respiratório. À auscultação cardíaca, destacam-se sons cardíacos irregularmente irregulares, sem sopros ou galopes.

Sinais vitais

FC
128 bpm
TA
134/82 mmHg
FR
16/min
Temp
36.5 °C
SpO₂
97%

Exame objectivo

  • Sons cardíacos arrítmicos e irregularmente irregulares, sem sopros audíveis
  • Murmúrio vesicular mantido bilateralmente, sem ruídos adventícios
  • Ausência de edemas nos membros inferiores ou turgência jugular

Análises

Hemoglobina13.5 g/dLreferência: 12.0-15.5
Leucócitos6.8 x10^3/µLreferência: 4.0-11.0
Creatinina0.85 mg/dLreferência: 0.50-1.10
Potássio4.3 mmol/Lreferência: 3.5-5.1
TSH1.95 µUI/mLreferência: 0.40-4.00
Troponina I de alta sensibilidade9 ng/Lreferência: < 16

Pergunta 1 de 3

O eletrocardiograma (ECG) de 12 derivadas realizado à admissão revela ausência de ondas P percetíveis, linha de base irregular com deflexões f rápidas e intervalos R-R irregularmente irregulares, com uma frequência ventricular média de 130 bpm. Qual é a interpretação eletrocardiográfica correta?

Pergunta 2 de 3

Considerando a estabilidade hemodinâmica da doente e o quadro de fibrilhação auricular com resposta ventricular rápida, qual é a medida inicial mais adequada para o controlo da frequência cardíaca?

Pergunta 3 de 3

Na avaliação do risco tromboembólico desta doente com a pontuação CHA₂DS₂-VASc (Idade 68 anos = 1 ponto, Sexo feminino = 1 ponto, Hipertensão arterial = 1 ponto, Diabetes mellitus = 1 ponto; Total = 4 pontos), qual é a conduta anticoagulante mais adequada a longo prazo?

Pontos-chave

  • O diagnóstico eletrocardiográfico de fibrilhação auricular assenta na ausência de ondas P e na presença de ritmo irregularmente irregular.
  • Doentes hemodinamicamente estáveis com fibrilhação auricular e resposta ventricular rápida devem ser tratados inicialmente com controlo de frequência através de beta-bloqueantes ou bloqueadores dos canais de cálcio não-di-hidropiridínicos.
  • A decisão de anticoagulação oral a longo prazo baseia-se na pontuação CHA₂DS₂-VASc, sendo os anticoagulantes orais de ação direta (DOACs) a classe de escolha na FA não valvular.

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