Hemorragia e dor pélvica no primeiro trimestre de gravidez

Caso clínico de ensino · Obstetrícia e ginecologia · Moderado

Obstetrícia e ginecologia · Moderado

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

28 anos · sexo feminino

Uma doente de 28 anos, secundigesta e nulípara (G2P0A1), recorre ao serviço de urgência de ginecologia por metrorragias de escasso volume, de coloração acastanhada, e dor abdominal ligeira a moderada na fossa ilíaca esquerda com 2 dias de evolução. Refere uma amenorreia de 6 semanas. Nega tonturas, síncope, febre ou omalgia. Do seu historial clínico destaca-se uma gravidez ectópica prévia tratada com salpingectomia direita. Ao exame objetivo, apresenta-se hemodinamicamente estável, com abdómen mole e depressível, doloroso à palpação profunda no quadrante inferior esquerdo, sem sinais de irritação peritoneal. Ao exame especular, observa-se escasso sangue acastanhado no fundo de saco posterior e o colo do útero apresenta-se fechado.

Sinais vitais

FC
78 bpm
TA
118/74 mmHg
FR
15/min
Temp
36.5 °C
SpO₂
99%

Exame objectivo

  • Dor à palpação profunda na fossa ilíaca esquerda sem defesa ou descompressão dolorosa
  • Exame especular: escasso sangue acastanhado no fundo de saco posterior, sem hemorragia ativa
  • Toque bimanual: colo do útero fechado, dor à mobilização do colo e palpação do anexo esquerdo

Análises

Hemoglobina12.5 g/dLreferência: 12.0-15.5
Leucócitos7.8 10^9/Lreferência: 4.0-11.0
Plaquetas245 10^9/Lreferência: 150-400
Beta-hCG sérico2200 mIU/mLreferência: < 5
Grupo sanguíneo e Fator RhO Negativo -referência: -

Pergunta 1 de 3

Perante este quadro clínico de dor pélvica e metrorragias no primeiro trimestre de gravidez, qual é o exame complementar de diagnóstico prioritário a realizar?

Pergunta 2 de 3

A ecografia transvaginal realizada demonstrou uma cavidade uterina sem saco gestacional (com eco endométrico de 10 mm), uma massa anexial esquerda heterogénea com 2,2 cm de diâmetro e ausência de líquido livre na cavidade pélvica. Perante estes achados ecográficos e o valor de beta-hCG de 2200 mIU/mL, qual é a interpretação clínica mais provável?

Pergunta 3 de 3

Sabendo que a doente apresenta o grupo sanguíneo O Negativo (Rh negativo) e metrorragias no primeiro trimestre associadas a gravidez ectópica, qual é a medida profilática obrigatoriamente indicada nesta doente?

Pontos-chave

  • A ecografia transvaginal combinada com a quantificação do beta-hCG sérico é fundamental no diagnóstico diferencial da hemorragia do primeiro trimestre.
  • Um valor de beta-hCG acima da zona discriminatória sem saco gestacional intrauterino visível na ecografia indica forte suspeita de gravidez ectópica.
  • A imunoglobulina anti-D deve ser administrada a todas as grávidas Rh negativo com metrorragia ou diagnóstico de gravidez ectópica.

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