Icterícia colestática progressiva num doente com doença inflamatória intestinal

Caso clínico de ensino · Gastrenterologia e hepatologia · Difícil

Gastrenterologia e hepatologia · Difícil

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

38 anos · sexo masculino

Um homem de 38 anos, com antecedente pessoal de colite ulcerosa diagnosticada há 4 anos e sob terapêutica de manutenção com mesalazina, recorre à consulta por icterícia progressiva, astenia e prurido generalizado com um mês de evolução. O doente refere ainda urina escura (colúria) e fezes esbranquiçadas (acolia). Nega febre, arrepios, dor abdominal, perda ponderal não intencional, consumo de bebidas alcoólicas, produtos de herboraria ou início recente de novos fármacos. Ao exame físico, apresenta-se hemodinamicamente estável, anfebril, com icterícia marcada das escleras e pele e lesões superficiais de escoriação no tronco e membros. O abdomén é mole, depressível e indolor à palpação, sem hepatosplenomegália detetável ou sinais de ascite.

Sinais vitais

FC
74 bpm
TA
125/80 mmHg
FR
14/min
Temp
36.5 °C
SpO₂
99%

Exame objectivo

  • Icterícia marcada das escleras e mucosas
  • Escoriações cutâneas disseminadas secundárias a prurido
  • Abdomén mole, indolor à palpação profunda, sem massas ou organomegálias

Análises

Bilirrubina total6.5 mg/dLreferência: 0.2-1.2
Bilirrubina direta5.2 mg/dLreferência: < 0.3
Fosfatase alcalina (FA)520 U/Lreferência: 40-130
Gama-glutamiltransferase (GGT)410 U/Lreferência: 10-50
Alanina aminotransferase (ALT)72 U/Lreferência: 10-40
Aspartato aminotransferase (AST)61 U/Lreferência: 10-35
Hemoglobina13.8 g/dLreferência: 13.0-17.5
Leucócitos6.8 x10^9/Lreferência: 4.0-11.0
INR1.05 referência: 0.8-1.2

Pergunta 1 de 3

Tendo em conta a história clínica e o perfil laboratorial do doente, qual é o diagnóstico mais provável?

Pergunta 2 de 3

Qual é o exame de imagem não invasivo mais adequado para confirmar a suspeita diagnóstica neste doente?

Pergunta 3 de 3

Além do alívio sintomático do prurido, qual das seguintes medidas é indispensável na orientação a longo prazo deste doente?

Pontos-chave

  • A colangite esclerosante primária (CEP) associa-se frequentemente à colite ulcerosa e manifesta-se por um padrão analítico colestático (FA e GGT muito elevadas).
  • A colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) é o exame de imagem não invasivo de escolha para demonstrar as estenoses e dilatações multifocais da árvore biliar.
  • Doentes com CEP e colite ulcerosa requerem rastreio continuado para colangiocarcinom e vigilância colonoscópica anual devido ao risco aumentado de displasia e cancro colorretal.

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