Pielonefrite Grave e Choque Séptico em Doente Diabética

Caso clínico de ensino · Infecciologia · Difícil

Infecciologia · Difícil

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

68 anos · sexo feminino

Uma doente do sexo feminino, de 68 anos de idade, com antecedentes pessoais de diabetes mellitus tipo 2 mal controlada, é admitida no Serviço de Urgência por prostração, febre alta acompanhada de calafrios e dor lombar esquerda com 3 dias de evolução. Nas últimas 24 horas, a família refere diminuição assinalável do débito urinário e alteração do estado de consciência. Ao exame físico, apresenta-se sonolenta, desorientada e com mucosas secas. A palpação abdominal revela dor no flanco esquerdo e a punho-percussão lombar esquerda (sinal de Giordano) é francamente positiva. Não apresenta sinais de irritação peritoneal.

Sinais vitais

FC
118 bpm
TA
82/48 mmHg
FR
24/min
Temp
38.9 °C
SpO₂
94%

Exame objectivo

  • Obnubilação e desorientação temporo-espacial
  • Sinais de desidratação moderada a grave
  • Punho-percussão lombar esquerda (sinal de Giordano) positiva
  • Ausência de defesas abdominais voluntárias ou involuntárias

Análises

Hemoglobina11.2 g/dLreferência: 12.0-15.0
Leucócitos21.5 10^9/Lreferência: 4.0-11.0
Neutrófilos88 %referência: 45-70
Plaquetas92 10^9/Lreferência: 150-400
Proteína C-Reativa (PCR)285 mg/Lreferência: < 5.0
Creatinina2.4 mg/dLreferência: 0.6-1.1
Ureia88 mg/dLreferência: 15-45
Glicemia casual340 mg/dLreferência: 70-99
Lactato arterial4.2 mmol/Lreferência: < 2.0
Uroanálise - Esterase leucocitária+++ escala qualitativareferência: Negativo
Uroanálise - NitritosPositivo escala qualitativareferência: Negativo

Pergunta 1 de 3

Além da ressuscitação hemodinâmica imediata, colheita de culturas e início de antibioterapia empírica, qual é o exame de imagem mais adequado para a avaliação urgente da complicação parenquimatosa renal nesta doente?

Pergunta 2 de 3

Tendo em conta a apresentação clínica com choque séptico, dor lombar e antecedentes de diabetes mellitus mal controlada, qual é a complicação renal necrosante mais provável de ser identificada no exame de imagem?

Pergunta 3 de 3

A TC renal realizada confirma o diagnóstico de pielonefrite enfisematosa de Classe 2 (gás confinado ao parênquima renal sem extensão ao espaço perirrenal). Após estabilização hemodinâmica e início de antibioterapia endovenosa de largo espectro, qual é a conduta terapêutica mais adequada nesta fase?

Pontos-chave

  • A pielonefrite enfisematosa é uma infeção necrosante renal grave com produção de gás, ocorrendo sobretudo em doentes com diabetes mellitus mal controlada.
  • A TC renal sem contraste é o exame de diagnóstico imagiológico mais sensível para demonstrar a presença de gás no parênquima ou espaço perirrenal.
  • A abordagem terapêutica moderna privilegia o tratamento conservador com antibioterapia de largo espectro e drenagem percutânea, evitando a nefrectomia imediata sempre que possível.

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