Parestesias e dor queimante nos membros inferiores num doente com diabetes tipo 2

Caso clínico de ensino · Neurologia · Moderado

Neurologia · Moderado

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

62 anos · sexo masculino

Um doente do sexo masculino, de 62 anos, com antecedentes de diabetes mellitus tipo 2 diagnosticada há 10 anos e hipertensão arterial, recorre à consulta por dormência, formigueiro e sensação de queimadura em ambos os pés, com início há cerca de 8 meses. Relata que os sintomas têm vindo a agravar progressivamente, sendo mais intensos durante a noite, e que atualmente se estendem até ao terço médio de ambas as pernas ("distribuição em peúga"). Nega fraqueza muscular, queixas nos membros superiores, perda de peso involuntária ou alterações do trânsito intestinal e da micção. Refere adesão irregular ao tratamento antidiabético oral.

Sinais vitais

FC
74 bpm
TA
138/84 mmHg
FR
14/min
Temp
36.5 °C
SpO₂
98%

Exame objectivo

  • Diminuição da sensibilidade vibratória (diapasão de 128 Hz) e dolorosa distalmente até ao terço médio das pernas
  • Abolição bilateral dos reflexos osteotendinosos aquilianos
  • Reflexos patelares conservados (+2/4) e simétricos
  • Força muscular mantida (5/5 na escala do MRC) em todos os grupos musculares dos membros inferiores
  • Pele dos pés seca, sem úlceras ou lesões tróficas ativas

Análises

Hemoglobina A1c8.8 %referência: < 5.7
Glicemia em jejum168 mg/dLreferência: 70-99
Vitamina B12410 pg/mLreferência: 200-900
Hormona Tiroestimulante (TSH)2.2 uIU/mLreferência: 0.4-4.0
Creatinina sérica0.9 mg/dLreferência: 0.7-1.2

Pergunta 1 de 3

Tendo em conta o quadro clínico, o exame neurológico e os resultados laboratoriais apresentados, qual é o diagnóstico mais provável?

Pergunta 2 de 3

Qual é a conduta farmacológica mais adequada para o alívio sintomático da dor neuropática neste doente?

Pergunta 3 de 3

Se for necessário confirmar neurofisiologicamente o diagnóstico e caracterizar o padrão de afetação dos nervos periféricos, qual é o exame complementar de diagnóstico de eleição?

Pontos-chave

  • A polineuropatia diabética distal simétrica é a forma mais comum de neuropatia periférica e apresenta-se tipicamente com parestesias, dor neuropática e perda sensorial em 'peúga' e 'luva'.
  • O rastreio de causas secundárias ou concomitantes de neuropatia (como défice de vitamina B12 e disfunção tiroideia) deve ser realizado mesmo em doentes com diabetes tipo 2.
  • A primeira linha de tratamento sintomático para a dor neuropática diabética inclui gabapentinoides (pregabalina ou gabapentina) e inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (duloxetina).

Este é um de 158 casos gratuitos

O AskPreceptor é uma ferramenta de estudo para estudantes de medicina: respondes primeiro, e só depois vês o raciocínio — incluindo porque cada opção errada está errada. Sem custo e sem registo.

Mais casos em português · Preparação para a PNA