Choque Séptico de Origem Urinária em Doente Idosa

Caso clínico de ensino · Infecciologia · Difícil

Infecciologia · Difícil

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

68 anos · sexo feminino

Uma doente de 68 anos é admitida no serviço de urgência por prostração, alteração do estado de consciência e calafrios com 12 horas de evolução. A família refere que nos últimos dois dias a doente apresentou disúria e polaciúria. Tem antecedentes de diabetes mellitus tipo 2 mal controlada. À chegada, encontra-se sonolenta, mas responsiva a estímulos verbais, queixando-se de dor na região lombar direita. Recebeu 1000 mL de solução de cloreto de sódio a 0,9% IV em alta velocidade antes da reavaliação hemodinâmica, mantendo hipotensão arterial persistente.

Sinais vitais

FC
124 bpm
TA
82/46 mmHg
FR
26/min
Temp
38.8 °C
SpO₂
93%

Exame objectivo

  • Sonolenta, pontuação na Escala de Coma de Glasgow de 13 (E3V4M6)
  • Mucosas secas e tempo de preenchimento capilar de 4 segundos
  • Sinal de Giordano positivo no lado direito
  • Auscultação cardiopulmonar sem sopros, crepitações ou fervores

Análises

Leucócitos22.4 x10^3/µLreferência: 4.0-11.0
Neutrófilos89.0 %referência: 45.0-70.0
Bastonetes9.0 %referência: 0.0-5.0
Plaquetas88 x10^3/µLreferência: 150-400
Creatinina2.3 mg/dLreferência: 0.5-1.0
Ureia82 mg/dLreferência: 15-50
Proteína C Reativa260.0 mg/Lreferência: <5.0
Lactato arterial4.2 mmol/Lreferência: 0.5-2.0

Pergunta 1 de 3

Após a colheita imediata de duas séries de hemoculturas e urocultura, e tendo sido completada a administração de um total de 30 mL/kg de cristaloides equilibrados sem resposta pressórica (pressão arterial média de 57 mmHg), qual é a atitude terapêutica subsequente mais adequada?

Pergunta 2 de 3

Considerando os critérios internacionais do consenso Sepsis-3, qual das seguintes afirmações estabelece corretamente o diagnóstico de choque séptico nesta doente?

Pergunta 3 de 3

A doente iniciou antibioterapia empírica com piperacilina/tazobactam. Ao segundo dia de internamento, mantém episódios febris (38,5 ºC), agravamento dos parâmetros inflamatórios e dependência de noradrenalina. A urocultura colhida na admissão revelou crescimento de Escherichia coli produtora de beta-lactamase de espetro alargado (ESBL). Qual é o exame complementar de diagnóstico prioritário para orientar o controlo do foco infecioso neste momento?

Pontos-chave

  • O choque séptico é definido pelo consenso Sepsis-3 pela necessidade de vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L apesar de ressuscitação volémica adequada.
  • A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha no choque séptico e deve ser iniciada precocemente se a PAM se mantiver < 65 mmHg após 30 mL/kg de cristaloides.
  • O controlo do foco infecioso (por exemplo, drenagem de abcessos ou desobstrução das vias urinárias) é uma emergência terapêutica essencial na sépsis refratária.

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