Tromboembolismo Pulmonar de Alto Risco em Doente Oncológica

Caso clínico de ensino · Pneumologia · Difícil

Pneumologia · Difícil

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

62 anos · sexo feminino

Uma doente do sexo feminino, de 62 anos, com antecedentes de adenocarcinoma do cólon estadio III operado há 2 meses e a cumprir quimioterapia adjuvante, é admitida no serviço de urgência por dispneia súbita e prostração com 3 horas de evolução. Refere dor torácica de características pleuríticas e tonturas intensas ao levantar-se. Ao exame físico, apresenta-se pálida, sudorética e com turgidez jugular visível a 45º. A auscultação cardíaca revela taquicardia com hiperfonese da segunda componente do segundo tom (P2) no foco pulmonar, sem sopros. A auscultação pulmonar é limpa. Observa-se edema assimétrico e dor à palpação no membro inferior esquerdo.

Sinais vitais

FC
126 bpm
TA
82/54 mmHg
FR
28/min
Temp
36.4 °C
SpO₂
88%

Exame objectivo

  • Turgidez jugular a 45º
  • P2 hiperfonético no foco pulmonar
  • Edema assimétrico e dor à palpação na gemela esquerda
  • Extremidades frias e lentificação do preenchimento capilar

Análises

Hemoglobina11.2 g/dLreferência: 12.0-15.0
Leucócitos8.5 10^9/Lreferência: 4.0-11.0
Plaquetas210 10^9/Lreferência: 150-400
Troponina T de alta sensibilidade85 ng/Lreferência: < 14
NT-proBNP1850 pg/mLreferência: < 300
Gasometria arterial (FiO2 21%) - pH7.49 referência: 7.35-7.45
Gasometria arterial (FiO2 21%) - PaO258 mmHgreferência: 80-100
Gasometria arterial (FiO2 21%) - PaCO229 mmHgreferência: 35-45
Gasometria arterial (FiO2 21%) - Lactatos3.2 mmol/Lreferência: < 2.0

Pergunta 1 de 3

Diante desta doente com instabilidade hemodinâmica grave e suspeita clínica elevada de tromboembolismo pulmonar (TEP), em quem o transporte imediato para a sala de tomografia computorizada envolve risco de vida elevado, qual é o exame complementar de diagnóstico à cabeceira mais indicado nesta fase?

Pergunta 2 de 3

O ecocardiograma à cabeceira revelou dilatação grave do ventrículo direito com hipocinesia da parede livre e sinal de McConnell positivo. Na ausência de contraindicações absolutas para hemorragia, qual é o passo terapêutico imediato mais adequado?

Pergunta 3 de 3

De acordo com as orientações da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) para o maneio do tromboembolismo pulmonar, qual do seguinte conjunto de achados é o critério obrigatório para classificar este caso como TEP de 'alto risco'?

Pontos-chave

  • O TEP de alto risco é definido pela presença de instabilidade hemodinâmica (hipotensão sustentada, choque obstrutivo ou paragem cardiorrespiratória).
  • Em doentes instáveis em que a Angio-TC não pode ser realizada em segurança, o ecocardiograma transtorácico à cabeceira é a ferramenta de diagnóstico rápida fundamental para demonstrar sobrecarga/disfunção aguda do ventrículo direito.
  • A trombólise sistémica endovenosa é a terapêutica de primeira linha para o TEP de alto risco na ausência de contraindicações hemorrágicas absolutas.

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