Infiltrado cavitário pulmonar e sintomas constitucionais num homem de 42 anos

Caso clínico de ensino · Infecciologia · Moderado

Infecciologia · Moderado

Este caso é fictício e serve para estudo. Não descreve nenhum doente real.

42 anos · sexo masculino

Um doente do sexo masculino, de 42 anos, natural de Angola e a residir em Portugal há 2 anos, recorre à consulta de Infecciologia por quadro com 6 semanas de evolução de tosse com expetoração mucopurulenta, ocasionalmente com raias de sangue. Refere febre vespertina (temperatura axilar até 38,0 ºC), sudorese noturna e perda ponderal não intencional de 6 kg. Não apresenta antecedentes patológicos relevantes e nega hábitos tabágicos ou alcoólicos. Na radiografia de tórax, previamente realizada no âmbito da medicina do trabalho, descreve-se um infiltrado nodular com escavação de paredes espessas no segmento apical do lóbulo superior direito.

Sinais vitais

FC
84 bpm
TA
118/74 mmHg
FR
18/min
Temp
37.8 °C
SpO₂
97%

Exame objectivo

  • Crepitações inspiratórias no terço superior do campo pulmonar direito
  • Emagrecimento visível, sem adenopatias periféricas palpáveis
  • Auscultação cardíaca com sons S1 e S2 normais, sem sopros

Análises

Hemoglobina11.4 g/dLreferência: 13.0-17.5
Leucócitos9.2 10^9/Lreferência: 4.0-11.0
Proteína C-Reativa48.5 mg/Lreferência: < 3.0
Velocidade de Sedimentação62 mm/hreferência: < 15
Creatinina0.85 mg/dLreferência: 0.70-1.20
ALT (TGP)24 U/Lreferência: < 50
AST (TGO)22 U/Lreferência: < 50

Pergunta 1 de 3

Qual é o passo de diagnóstico microbiológico subsequente mais adequado para confirmar a presença de tuberculose pulmonar ativa e avaliar o risco de transmissibilidade neste doente?

Pergunta 2 de 3

A pesquisa de bacilos ácido-álcool resistentes na expetoração é positiva e o teste Xpert MTB/RIF deteta Mycobacterium tuberculosis sensível à rifampicina. Além do isolamento respiratório, qual é o esquema terapêutico inicial mais adequado?

Pergunta 3 de 3

Duas semanas após ter iniciado o tratamento com isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol, o doente refere que a sua urina e suor apresentam uma coloração alaranjada intensa. Nega dor abdominal, náuseas ou icterícia. Qual é a interpretação e conduta mais adequada perante este achado?

Pontos-chave

  • A confirmação microbiológica da tuberculose pulmonar ativa deve ser feita preferencialmente por pesquisa de BAAR e teste molecular (PCR/Xpert MTB/RIF) em 3 amostras de expetoração.
  • O esquema terapêutico inicial padrão de 1ª linha em Portugal consiste em 2 meses de fase intensiva com RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol) seguidos de 4 meses com RI (Rifampicina e Isoniazida).
  • A descoloração alaranjada das excreções e fluidos corporais é um efeito secundário benigno e inofensivo da rifampicina que requer esclarecimento e tranquilização do doente.

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